Arcos alagoenses no Festival de Cremona

Arcos alagoenses no Festival de Cremona

18 de novembro de 2010 Artigos 0

A arte de dar som ao violino no Litoral Sul de Alagoas

Fonte: alagoas24horas.com.br

 

Movimento sincronizado. Arco sobre as cordas do violino entre a ponte (a parte de madeira que abriga as cordas) e a escala (a longa faixa preta debaixo das cordas). A mão esquerda determina a altura da corda, a direita decide a elevação que quer tocar. Deve-se ter um bom posicionamento do instrumento e do arco, familiaridade com o som das cordas e aptidão de ler a música para dominar o violino. É com este pensamento que há sete anos, o archetier Jonas Mattos produz arco de violino, no cenário do Litoral Sul de Alagoas.

 

A Itália constitui o berço do violino, a França permanece a pátria dos arcos. Na calmaria e beleza de Coruripe, Jonas Mattos, o arquiteto da emoção, exporta cerca de 60 arcos, por mês, que seguem para Itália, França, Alemanha, China e Japão. “Quando me mudei para Coruripe, conheci o secretário do Meio Ambiente, Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Edinho, que me ajudou muito. Através dele, consegui legalmente com o pessoal da Usina Coruripe madeira do pau-brasil, que confere melhor sonoridade, elasticidade e suavidade que se pode esperar para os arcos destes instrumentos”, explicou Mattos.

 

O primeiro contato com a arte de fazer arco veio na década de 70, no município de Aracruz, no Espírito Santo, quando conheceu o alemão João Brasil. “Fiquei encantado com o trabalho. Hoje conto com o apoio de meu filho Janderson, que desde os 15 anos me ajuda nas encomendas. E minha filha Janeide Mattos, que reside na Itália e me ajuda nas vendas dos arcos”, comentou.

 

Matéria-prima

Segundo o archetier Jonas Mattos, músicos do mundo inteiro reconhecem que os arcos destes instrumentos devem ser feitos com madeira do pau-brasil, mas devido à extinção, estão sendo produzidos em outros tipos de madeira.

 

Os músicos estão apresentando iniciativas para o plantio da árvore para a produção dos arcos musicais. Mas a árvore leva 25 anos para crescer. Atualmente, a única fonte de pau-brasil disponível são peças feitas desta madeira, como pontes, cercas e construções antigas, mas que estão também se tornando cada vez mais raras.

 

“A gente tenta trabalhar com outros tipos de madeira, como por exemplo, maçaranduba, pau ferro, pau d’arco, jatobá, entre outras. Mas todos sabem que a qualidade do arco fica a desejar. O valor é o mesmo do arco pronto ou semipronto. Eu repasso, e lá eles vendem a um valor oneroso”, disse.

 

Cremona

Jonas Mattos participou da XXIII Cremona MondoMusica, na Itália. “A feira foi bem produtiva, aumentei minha rede de contatos e fechei diversas encomendas. Na oportunidade, levei alguns encartes para divulgar as belezas de Coruripe. Levamos para fora o melhor de nosso trabalho, eles ficaram encantados com a qualidade do nosso produto”, concluiu.

 

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