Entrevista | Luthier Rogério Cobra Franchi

(Estamos repostando a pedido de um leitor que em virtude da perda de dados recentes na migração de servidor não pode mais ter acesso a entrevista)

Lutheria | Cobra FranchiRogério A. Cobra Franchi Ítalo-brasileiro, neto de Artesão imigrante da província de Cattolica, na Itália, mantém nas mãos a herança do trabalho no entalho da madeira. Nascido no interior do estado de São Paulo, situa-se atualmente em Florianópolis após alguns anos vivendo entre Itália e Espanha.

O foco de seu trabalho com madeira é na construção de Instrumentos de corda friccionada da família do violino e sua formação é autodidata proporcionada por um trabalho de imersão nas áreas da pesquisa e da intuição artística.
  • Rogério, como surgiu seu interesse pela construção de instrumentos como o violino?

    Creio que todos tem algo criativo dentro de si,basta procurar internamente por isso.Quando ainda era criança escutei o som do violino e aquilo me marcou muito …ja adulto decidi aprender a tocar e com isso veio também a vontade de construir os meus próprios violinos. Acho que a aptidão com o trabalho em madeira ja esta no sangue pois meu avô sempre trabalhou no entalho

  • Você toca algum instrumento? Estudou música antes de se tornar um luthier?

    Toco alguns instrumentos, mas nunca estudei música.

 

  • Os violinistas costumam se inspirar em grandes interpretes. E você? Tem algum luthier ou outra fonte de inspiração?

    Acho que todos os antigos luthiers…Todos aqueles que usaram de intuição em seus trabalhos ….Sobre inspiração, tenho usado a própria natureza e os materiais que proporciona para minhas criações

 

  • O que você mais prioriza quando está construindo um instrumento?

    Dou prioridade as medidas no decorrer da construção e a um bom acabamento do produto final….Também confeccionar um instrumento em uma madeira de qualidade e envelhecida naturalmente é minha prioridade

 

  • Levando em consideração sua formação autodidata, pergunto, já é possível encontrar livros, ou revistas (em português), que contenham informações sobre como construir um instrumento como o violino por exemplo? Qual sua opinião acerca do material bibliográfico disponível?

    A literatura a respeito é importada e muito difícil de encontrar, aqui no Brasil não conheço nenhuma edição em português. Consegui outro dia uma raridade, um livro italiano sobre lutheria de instrumentos friccionados datado de 1900…foi doação de um amigo.

 

  • Entre suas obras estão as rabecas. Como surgiu seu interesse por este instrumento tão peculiar?

    Por ser brasileiro e por termos este instrumento fazendo parte de nossa cultura popular houve o interesse em pesquisa e construção da rabeca. Este instrumento permite uma criação espontânea sem necessidade de medidas pré-estabelecidas como ocorre no violino, suas formas podem variar constantemente como também seu timbre.

 

  • Rogério, compartilhe com nossos leitores, o que é o projeto “O Som Da Madeira”?

    É um projeto que visa o plantio de arvores nativas ou especificas para a construção de instrumentos. Pode ser entendido como uma responsabilidade pelo uso de madeiras…São plantadas mudas de arvores em um viveiro e depois seguem para um espaço onde são plantadas definitivamente.

 

  • Voltando ao campo profissional. Você considera sua categoria valorizada?

    No Brasil alguns trabalhos profissionais não são devidamente valorizados como por exemplo a lutheria, acho que isto é uma questão de consciência por parte daqueles que fazem musica e vivem dela.Acho que ha´uma super valorização na lutheria estrangeira e pouca informação dos músicos em relação ao que temos em relação a luthiers no Brasil.

 

  •  Na sua opinião, qual é o motivo pelo qual ainda existam tão poucos luthiers de instrumentos como violino em Santa Catarina?

    Acho que não há incentivo para mais luthiers se fixarem, pois o mercado não sustenta seus trabalhos.

  • Navegando pela internet pude verificar que há muitas organizações/associações como por exemplo a The American Federation of Violin and Bow Makers ( De luthiers dos Estados Unidos e Canada), entre outras mundo a fora. Você considera que os profissionais da sua categoria são unidos e organizados aqui no Brasil?

    Há pessoas com boas intenções, mas estamos longe de uma organização parecida.

  • Aqui um espaço livre para considerações finais:

Acho que as escolas e professores de musica deveriam dar incentivo a visitação de ateliês de lutheria…isso enriquece o universo do aluno e faz entender melhor o instrumento que toca..além de fazer uma conexão entre luthier e musico favorecendo o mercado local de instrumentos de arco…
Muito obrigado a Você Israel por este espaço de bate papo.

Israel Honorato Dutra

Criador do portal Violino Vermelho e violinista a mais de 15 anos tendo atuado predominantemente em orquestras desde o início de sua carreira com as quais teve oportunidade de se apresentar nacional e internacionalmente. Atualmente é bacharelando em violino na Universidade Estadual de Santa Catarina como discípulo de João Eduardo Dias Titton, mestre pela University of Cincinnati (EUA).

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