Ouvir e Entender Música – 8 – Acordes

Ouvir e Entender Música – 8 – Acordes

19 de janeiro de 2012 Artigos 0

ACORDES

Há necessidade de, pelo menos, se ouvir falar de: significado de tonalidade e modulação, importância do esqueleto harmônico fundamental para o conjunto da obra; da significação relativa de consonância e dissonância, e, finalmente das estruturas modernas.

Devemos, em princípio, supor que a construção de um acorde deve ter uma certa nota mais grave, nota que dará a tônica, o tom, a referência (uma espécie de nota geratriz) em uma série de intervalos de terças ascendentes. Exemplo: Dó-Mi-Sol-Si-Ré e assim vai, até começar a repetir as notas.

Se em vez de notas usarmos números teremos 1-3-5-7-9 e segue…
Comecemos pela tríade 1-3-5, notas tocadas ao mesmo tempo. Simultaneamente. É o acorde em um formato básico. A maior parte da música ocidental se baseia nessa tríade.

A partir daí teremos: 1-3-5-7 (acorde de sétima, a sétima nota em relação à tônica); 1-3-5-7-9 (acorde de nona), assim por diante. À medida que aumenta o número de notas por acorde corresponde à passagem dos anos e séculos e uma evolução na audição das platéias que se vão acostumando com os novos ambientes sonoros.

Questão puramente cultural. Mas é verdade que as primeiras três notas surgiram da série harmônica pitagórica; fisicamente correspondem ao primeiro grau, ao terceiro e ao quinto.

Mas, voltemos à tríade.
Exemplo: 1-3-5, ou seja, escolhemos Dó-Mi-Sol ( Dó maior). Se você fizer Dó-Mi-Sol-Dó permanece a tríade, apenas incluindo um som a mais, dobrando a nota grave para o agudo. Se tomarmos o Dó central do piano teremos Dó3-Mi3-Sol3-Dó4. Essas dobras dão características tímbricas diferentes; caso usemos instrumentos diferentes para cada uma das notas, por exemplo essa vantagem tímbrica aumenta.

Um piano tocando Dó-Mi-Sol-Dó, é uma coisa.
Um cello no grave, um trompete na terça acima, um clarinete na quinta que chega, e uma flauta no dobradura do Dó, já é outra coisa, em termos de timbre, porém, permanece DÓ Maior.

Além disso, a mesma tríade pode tomar posições diferentes.
Tomemos a tríade Ré-Fá-Lá (Ré menor). Ela pode ser Fá-Lá-Ré (uma inversão) e pode ser Lá-Ré-Fá (nova inversão). Tomando tais inversões com a nota lançada oitava acima de sua posição. Continua Ré menor.

Com isso o compositor ganha opções de distribuição em naipes, de vozes ou de instrumentos. Dará leveza ou peso ao acorde.
Para cada um dos tons (sons), construímos tríades, de acordo com a fórmula 1-3-5. A base do acorde é o fator determinante. Ela dá nome ao Tom. É a Tônica. Tom-Tônica.

Acordes construídos sobre o primeiro grau (Tônica), sobre o quinto grau (Dominante) e sobre o quarto grau (SubDominante) têm uma amarração entre si. Essa nomenclatura é convencional., mas segue o aparecimento de notas a partir da Série Harmônica.

A nota de referência é o fundamento, dá o tom é a TÔNICA, é o I Grau. A próxima nota que aparece é outro I grau uma oitava acima. Depois surge o V Grau que domina o ambiente sonoro, daí DOMINANTE. Esse relacionamento de acordes se dá em função das notas que têm em comum.

Cuidado! O acorde, mesmo em inversões não muda de nome. A tônica permanece a mesma.
É bom dizer que essa construção toda é base completa da música Tonal, da música Acadêmica, da música Clássica. Música que obedece um arco que vai do fim do século 18 até o fim do século 19.
Muitas vezes se começa uma composição estabelecendo a seqüência de acordes que fundamentará a estrutura. O que rolar sobre essa estrutura depende da criatividade do compositor.

A estrutura implícita de uma obra deve ter sua lógica. E seu equilíbrio. Critérios.
Mas, afinal, como é que surgiram as sete notas que repetimos o tempo todo e qualquer criança sabe?
Antes da resposta à essa pergunta peço que ouçam Concerto para Violino e Orquestra em E maior ‘L’Amoroso’ – Vivaldi.

Por Coelho de Moraes baseado na obra de Aaron Copland

 

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