Ouvir e Entender Música – 7 – Harmonia

por Coelho De Moraes

Baseado na obra de Aaron Copland

HARMONIA
Em comparação com ritmo e melodia a harmonia é o elemento mais sofisticado e que merece estudo acurado. É uma invenção recente. Os dois primeiros apareceram, provavelmente com os primeiros humanos, enquanto a harmonia veio se desenvolvendo. É uma concepção intelectual.É uma obra de arte em si mesma.

No século 9 era desconhecida. A música tinha uma única linha melódica. Hoje, entre os povos orientais, muita música ainda é assim, apesar de certa mistura de vozes e ritmos complexos. Não deixa de ser arte. Nem deixa de ser música.
O nascimento da harmonia no mundo ocidental parte do século 9.

Podemos aquilatar que sucessão de notas sugerem harmonias possíveis segundo nosso ouvido ocidental.

 

Forma UM: Tínhamos algo parecido com grupos de sons em terças ou sextas, acima ou abaixo – era o organum; o antigo organum era o tocar junto com quartas abaixo ou quintas acima – terças e sextas sendo proibidas (essa coisa de proibição sempre foi suspeito). Em suma, o organum é composto de uma melodia acompanhada verticalmente, ou simultaneamente, por outra igual nos intervalos de quarta abaixo ou quinta cima.
Intervalo é a distancia entre duas notas, incluindo-as.

Dois exemplos aleatórios:
a) de Dó até Sol, ascendente, chamado intervalo de quinto grau, ou intervalo de quinta. DÓ-ré-mi-fá-SOL. É só contar as notas. Intervalo fechado, pois valem todas as notas do intervalo.
b) De Lá até Fá, descendente, intervalo de terceiro grau, ou intervalo de terça: FÁ-sol-LÁ, é só contar as notas de trás para frente. Intervalo fechado,valem todas as notas do intervalo. Peguemos a escala Dó-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá-Si-Dó.
c) Tenho uma melodia com as seguintes notas Ré-Fá-Sol-Sol-Lá-Fá-Mi-Ré.
Harmonizo quarta abaixo assim: Lá-Dó-Ré-Ré-Mi-Dó-Si-Lá. Sendo essas notas, uma quarta baixo da minha melodia escolhida, ou seja mais graves, tocando simultaneamente, ou seja, ao mesmo tempo. O mesmo fazemos com intervalos de quinta, acima.
d) Obtemos o ORGANUM PARALELO.

Forma DOIS: Dois séculos depois aparece o descante, atribuída aos franceses. Nesse caso temos duas melodias diferentes, uma acompanhando a outra, simultaneamente. Os intervalos variam na sua ordem de aparecimento. Não são necessariamente fixos ao longo de toda a música.

Forma TRES: É Faux-Bourdon ou falso bordão, ou ainda fabordão. Reaparecem os intervalos de terças e sextas. Ah! Permitiu-se que eles aparecessem. Apesar do nome o crédito é dos ingleses, que já harmonizavam assim em suas músicas folclóricas.
Tons separados soando juntos produzem acordes. Grupos de notas tocadas ao mesmo tempo. A Harmonia estuda a relação entre esses acordes e propõe critérios para sua execução e construção.

O estudo completo da Harmonia é coisa para um ou dois anos.
Há muita regra, proibições e permissões. Há coisa que não se usa mais e tem muito estudioso questionando tal estudo em função da alteração do ouvido.
Há que se ter um determinado controle sobre nomenclatura de intervalos e suas alturas. Depois vem mais um tanto de gente destruindo o que se aprendeu com apoio de Schoemberg.
Popularmente chama-se de harmonia àqueles grupamentos cifrados das Revistas de Música que se compra nos jornaleiros, onde se encontram sugestões para acompanhar essa ou aquela canção. Mas tudo muito facilitado e falseado, ou não se vende a tal revistinha.
A cifragem de acordes, porém, sempre existiu.

Ouçamos, no entanto: PELEAS Et MELISANDE do Debussy (destruição tonal de valor imprescindível). Para violino recomendamos trechos inigualáveis do Pierrot Lunaire.

 

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